terça-feira, 12 de maio de 2026

Hoje é o teu dia mano, farias 50 anos!

 

Hoje é o teu dia mano, farias 50 anos!

Pergunto-me como seria ouvir a tua voz agora, ver o homem em que te terias tornado. Imagino-te com rugas de expressão junto aos teus olhos esmeralda, únicos, vibrantes, e que tantos ciúmes me deram quando éramos pequenos, por não ter uns da cor dos teus. Talvez tivesses os cabelos já grisalhos e a barriguita de quem gosta de passar bons momentos a conviver nos petiscos. E e quem sabe, terias uns dois ou três adolescentes a chamarem-te pai cota. Ai, ia adorar isso! 

Mas é estranho pensar nisso porque, para mim, continuas sempre com aquele sorriso jovem, com aquela presença viva que o tempo congelou. A vida levou-te cedo demais, com tantos sonhos por viver, tantas histórias por escrever, tantos anos roubados.

Perder-te foi uma dor impossível de explicar. Enquanto o meu coração se partia por te perder, existia também uma pequena parte de alívio por saber que já não estavas a sofrer. O amor faz-nos querer prender quem amamos à vida, mas também nos faz desejar paz para quem já sofreu demasiado.

Na verdade, não estava preparada para te deixar ir. Nunca estaria. Como é que alguém se prepara para perder um irmão? Como é que se aceita que uma pessoa tão importante desapareça assim da nossa vida? A verdade é que eu nunca aceitei verdadeiramente. Durante anos, todos os dias dizia a mim própria que tinhas ido viajar. Depois aprendi a sobreviver à tua ausência.

A saudade cresceu comigo, tornou-se parte da minha história, da minha identidade, da pessoa que sou. E o amor, esse tornou-se infinito. Um amor que a morte não conseguiu destruir, nem o tempo apagar.

Há pessoas que morrem e há pessoas que permanecem. Tu permaneces em mim todos os dias. Mesmo não estando aqui fisicamente, nunca deixaste de caminhar ao meu lado. És presença constante na minha vida. Estás nos meus pensamentos diários, nas memórias que revisito tantas vezes, nas conversas silenciosas que continuo a ter contigo. Há dias em que sinto a tua falta de uma forma tão profunda que até dói. E há outros em que sorrio ao lembrar-me de ti, do meu puto tinoni, do menino que dizia que quando crescer me daria as suas camisolas para compensar as que herdava de mim, do meu jogador de futebol que conseguiu romper uns ténis num único jogo, das tardes em que nos sentávamos debaixo da tangerineira a lanchar aquilo que colhíamos da árvore, dos nossos cães. Tanta coisa que partilhamos…  

Foi uma bênção ter-te na minha vida. Ainda que tenha sido por menos de 2 décadas, sou infinitamente mais rica por ter tido um irmão como tu. Estás no meu coração de uma forma tão profunda que, às vezes, sinto que caminhamos juntos, mesmo separados por um mundo inteiro. Porque há laços que nem o tempo, nem a morte, nem a ausência conseguem desfazer. Tu és meu irmão ontem, hoje e sempre.

Hoje neste dia especial, vou celebrar-te à minha maneira, lembro-te com amor, e como tantas vezes, falo contigo em silêncio. Continuas a ser uma das pessoas mais importantes do meu coração. Amo-te infinitamente meu querido irmão, e amar-te-ei enquanto existir.

domingo, 3 de maio de 2026

Dia das Mães


Perdi a minha mãe demasiado cedo. Tinha apenas 16 anos quando o cancro ma roubou, depois de assistir a 7 longos anos de sofrimento. Tudo acabou, sem pedir licença, sem dar tempo para me preparar, como se o mundo tivesse decidido que eu tinha de crescer à força, de um dia para o outro. Há dores que não se explicam, apenas se carregam, silenciosas, persistentes, entranhadas nos dias e nas noites. A ausência dela não foi apenas um vazio, foi uma ferida aberta no tempo, um espaço onde ficaram palavras por dizer, abraços por dar, conselhos por ouvir.

Durante muito tempo, senti-me incompleta. Como se me faltasse uma parte essencial para entender a vida, para saber como ser, como sentir, como cuidar. Porque uma mãe não é só presença, é orientação, é porto seguro, é aquele amor que nos ensina o significado de tudo o resto. E nada nem ninguém a pode substituir, 

E depois, a vida, com a sua forma misteriosa de continuar, deu-me a oportunidade de ser mãe. Não sem muita luta para o conseguir. Não sem passar por processos extremamente dolorosos. Mas voltaria a repeti-los sem hesitar. Consegui ter a minha menina, a minha razão de viver.

Hoje, olho para a minha filha e vejo nela tudo aquilo que me faltou e, ao mesmo tempo, tudo aquilo que renasceu dentro de mim. Ser mãe é um amor que não cabe no peito, que nos transforma de dentro para fora, que nos torna mais fortes e mais frágeis ao mesmo tempo. É viver com o coração fora do corpo, é sentir alegria nas pequenas coisas e medo nos silêncios mais longos.

A maternidade trouxe-me um sentido que eu não sabia que procurava. Ensinou-me a amar num crescendo, cada dia mais que o anterior, a proteger, a cuidar, a estar presente, como tantas vezes desejei que a minha mãe ainda estivesse para mim. Em cada gesto meu, há um eco dela. Em cada abraço que dou à minha filha, há um abraço que ficou por dar à menina que fui.

Ser mãe foi também uma forma de cura. Não apagou a dor da perda, mas transformou-a. Deu-lhe um novo significado. Fez com que o amor que não pude continuar a receber, agora possa ser dado, inteiro, profundo, incondicional.

A minha filha é tudo para mim. É luz onde houve sombra, é continuidade onde houve ruptura. É a prova de que, mesmo depois da maior perda, a vida encontra forma de florescer outra vez. E ela é sem dúvida uma versão melhorada e mim. O meu maior orgulho.

Ser mãe é a maior dávida que recebi da vida. Hoje celebro o Dia da Mãe como o calendário indica, mas acreditem, louvo esse papel todos os dias, por mim, e por quem me deu vida.