Hoje é o teu dia mano, farias 50 anos!
Pergunto-me como seria ouvir a tua voz agora, ver o homem em que te terias tornado. Imagino-te com rugas de expressão junto aos teus olhos esmeralda, únicos, vibrantes, e que tantos ciúmes me deram quando éramos pequenos, por não ter uns da cor dos teus. Talvez tivesses os cabelos já grisalhos e a barriguita de quem gosta de passar bons momentos a conviver nos petiscos. E e quem sabe, terias uns dois ou três adolescentes a chamarem-te pai cota. Ai, ia adorar isso!
Mas é estranho pensar nisso porque, para mim, continuas sempre com aquele sorriso jovem, com aquela presença viva que o tempo congelou. A vida levou-te cedo demais, com tantos sonhos por viver, tantas histórias por escrever, tantos anos roubados.
Perder-te foi uma dor impossível de explicar. Enquanto o meu coração se partia por te perder, existia também uma pequena parte de alívio por saber que já não estavas a sofrer. O amor faz-nos querer prender quem amamos à vida, mas também nos faz desejar paz para quem já sofreu demasiado.
Na verdade, não estava preparada para te deixar ir. Nunca estaria. Como é que alguém se prepara para perder um irmão? Como é que se aceita que uma pessoa tão importante desapareça assim da nossa vida? A verdade é que eu nunca aceitei verdadeiramente. Durante anos, todos os dias dizia a mim própria que tinhas ido viajar. Depois aprendi a sobreviver à tua ausência.
A saudade cresceu comigo, tornou-se parte da minha história, da minha identidade, da pessoa que sou. E o amor, esse tornou-se infinito. Um amor que a morte não conseguiu destruir, nem o tempo apagar.
Há pessoas que morrem e há pessoas que permanecem. Tu permaneces em mim todos os dias. Mesmo não estando aqui fisicamente, nunca deixaste de caminhar ao meu lado. És presença constante na minha vida. Estás nos meus pensamentos diários, nas memórias que revisito tantas vezes, nas conversas silenciosas que continuo a ter contigo. Há dias em que sinto a tua falta de uma forma tão profunda que até dói. E há outros em que sorrio ao lembrar-me de ti, do meu puto tinoni, do menino que dizia que quando crescer me daria as suas camisolas para compensar as que herdava de mim, do meu jogador de futebol que conseguiu romper uns ténis num único jogo, das tardes em que nos sentávamos debaixo da tangerineira a lanchar aquilo que colhíamos da árvore, dos nossos cães. Tanta coisa que partilhamos…
Foi uma bênção ter-te na minha vida. Ainda que tenha sido por menos de 2 décadas, sou infinitamente mais rica por ter tido um irmão como tu. Estás no meu coração de uma forma tão profunda que, às vezes, sinto que caminhamos juntos, mesmo separados por um mundo inteiro. Porque há laços que nem o tempo, nem a morte, nem a ausência conseguem desfazer. Tu és meu irmão ontem, hoje e sempre.
Hoje neste dia especial, vou celebrar-te à minha maneira, lembro-te com amor, e como tantas vezes, falo contigo em silêncio. Continuas a ser uma das pessoas mais importantes do meu coração. Amo-te infinitamente meu querido irmão, e amar-te-ei enquanto existir.

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