domingo, 3 de maio de 2026

Dia das Mães


Perdi a minha mãe demasiado cedo. Tinha apenas 16 anos quando o cancro ma roubou, depois de assistir a 7 longos anos de sofrimento. Tudo acabou, sem pedir licença, sem dar tempo para me preparar, como se o mundo tivesse decidido que eu tinha de crescer à força, de um dia para o outro. Há dores que não se explicam, apenas se carregam, silenciosas, persistentes, entranhadas nos dias e nas noites. A ausência dela não foi apenas um vazio, foi uma ferida aberta no tempo, um espaço onde ficaram palavras por dizer, abraços por dar, conselhos por ouvir.

Durante muito tempo, senti-me incompleta. Como se me faltasse uma parte essencial para entender a vida, para saber como ser, como sentir, como cuidar. Porque uma mãe não é só presença, é orientação, é porto seguro, é aquele amor que nos ensina o significado de tudo o resto. E nada nem ninguém a pode substituir, 

E depois, a vida, com a sua forma misteriosa de continuar, deu-me a oportunidade de ser mãe. Não sem muita luta para o conseguir. Não sem passar por processos extremamente dolorosos. Mas voltaria a repeti-los sem hesitar. Consegui ter a minha menina, a minha razão de viver.

Hoje, olho para a minha filha e vejo nela tudo aquilo que me faltou e, ao mesmo tempo, tudo aquilo que renasceu dentro de mim. Ser mãe é um amor que não cabe no peito, que nos transforma de dentro para fora, que nos torna mais fortes e mais frágeis ao mesmo tempo. É viver com o coração fora do corpo, é sentir alegria nas pequenas coisas e medo nos silêncios mais longos.

A maternidade trouxe-me um sentido que eu não sabia que procurava. Ensinou-me a amar num crescendo, cada dia mais que o anterior, a proteger, a cuidar, a estar presente, como tantas vezes desejei que a minha mãe ainda estivesse para mim. Em cada gesto meu, há um eco dela. Em cada abraço que dou à minha filha, há um abraço que ficou por dar à menina que fui.

Ser mãe foi também uma forma de cura. Não apagou a dor da perda, mas transformou-a. Deu-lhe um novo significado. Fez com que o amor que não pude continuar a receber, agora possa ser dado, inteiro, profundo, incondicional.

A minha filha é tudo para mim. É luz onde houve sombra, é continuidade onde houve ruptura. É a prova de que, mesmo depois da maior perda, a vida encontra forma de florescer outra vez. E ela é sem dúvida uma versão melhorada e mim. O meu maior orgulho.

Ser mãe é a maior dávida que recebi da vida. Hoje celebro o Dia da Mãe como o calendário indica, mas acreditem, louvo esse papel todos os dias, por mim, e por quem me deu vida. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Que seja feita justiça

 

Há quase um ano, a minha casa deixou de ser apenas um lugar. Deixou de ser o espaço seguro onde tudo fazia sentido e onde o mundo lá fora ficava, simbolicamente, à porta. Numa ausência que parecia banal, alguém entrou, mexeu nas minhas coisas, invadiu a minha intimidade. E, de repente, aquilo que era meu deixou de o ser por instantes, e isso foi suficiente para mudar muita coisa dentro de mim.

Mas não foi apenas um assalto silencioso. Houve um momento de confronto. Cruzei-me com o ladrão à saída da minha própria casa. Um instante que ainda hoje me atravessa. Houve tensão, houve medo real, palpável. Houve violência naquele encontro, e a imagem dele a apontar-me uma faca ficou gravada em mim de uma forma difícil de explicar. Foi o momento em que tudo deixou de ser apenas material e passou a ser uma ameaça direta à minha integridade, à minha vida.

E depois, o que encontrei lá dentro. Não foi só a ausência de objetos. Foi um cenário de destruição. Um rasto de desrespeito e caos. Coisas remexidas, partidas, desfeitas. Portas arrancadas, como se até os limites físicos da casa tivessem sido violentados. Cada divisão parecia contar uma história de invasão, como se o espaço tivesse sido despido da sua dignidade.

Não foi apenas o que levaram. Foi o que ficou. A sensação de violação, de insegurança, de perda de controlo. Durante muito tempo, qualquer barulho parecia um alerta, qualquer ausência um risco. A casa, que antes acolhia, passou a exigir vigilância. E eu, que antes confiava, passei a desconfiar.

Com o passar dos meses, as marcas não ficaram apenas na memória, passaram também para o corpo. Comecei a ter ataques de pânico inesperados, daqueles que chegam sem aviso e tomam conta de tudo: o coração acelera, a respiração encurta, e uma sensação de perigo iminente instala-se, mesmo quando nada está a acontecer. A ansiedade tornou-se uma presença constante, como um ruído de fundo difícil de silenciar.

Dormir, que antes era um refúgio, deixou de o ser. O sono tornou-se leve, fragmentado, inquieto. Muitas noites são interrompidas por pesadelos que me devolvem, de forma quase cruel, àquele momento, à invasão, ao confronto, ao medo. Acordo sobressaltada, com o corpo tenso, como se tudo estivesse a acontecer outra vez.

Agora, quase um ano depois, quando parecia que tudo começava lentamente a assentar, surge o julgamento. Fui chamada como testemunha. E com essa chamada vieram também memórias que eu tentei organizar, arrumar, talvez até esquecer um pouco. É como se abrisse uma porta que eu tinha fechado com esforço.

Sinto-me inquieta, ansiosa, como se tivesse de reviver algo que ainda não cicatrizou completamente. Não é apenas ir a tribunal. É voltar ao momento, às emoções, ao medo. É olhar, mesmo que indiretamente, para quem esteve na origem de tudo isto.

Ao mesmo tempo, há uma parte de mim que sabe que este passo faz parte de um processo. Que falar, testemunhar, dar voz ao que aconteceu também é uma forma de recuperar algum controlo, de não deixar que o silêncio apague o impacto do que vivi.

Mas isso não torna tudo mais fácil.

Há um equilíbrio difícil entre a necessidade de justiça e o peso emocional de reviver. E é nesse espaço que me encontro agora: entre o passado que insiste em reaparecer e a vontade de seguir em frente, com mais tranquilidade, mais segurança e, sobretudo, mais paz. Desejo profundamente que seja feita justiça.


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Parabéns meu amor!

 

Hoje, no dia do teu aniversário, escrevo sobre ti.

Curioso como a vida, às vezes, começa pelos caminhos mais improváveis. Quando nos conhecemos, não houve faísca imediata, nem simpatia à primeira vista. Éramos quase opostos, tu, mais calado, fechado no teu mundo, com uma intensidade silenciosa que eu, na altura, talvez não soubesse ler.

Mas o tempo… o tempo tem uma forma muito própria de revelar as pessoas.

Pelo meio, cada um de nós trazia histórias. Relações que não resultaram, caminhos que deixaram marcas, feridas tatuadas que iriam desaparecer e com as quais tínhamos que aprender a viver. Talvez por isso nos reconhecemos devagar, com respeito, e como quem sabe o peso que o outro carrega.

E, sem darmos conta, aquilo que era apenas presença tornou-se conversa. O que era distância transformou-se em proximidade. E da amizade começou a nascer algo mais, algo feito de pequenas partilhas, de silêncios que já não incomodavam, de um estar que acalmava.

Hoje, olho para nós e vejo isso: uma relação que se foi construindo, feita de altos e baixos que não nos quebraram, mas nos ensinaram. Vejo o teu apoio nos dias em que me perco, e a tua forma quieta de ficar quando tudo em mim é tempestade. E vejo também as nossas diferenças, a tua teimosia assumida (que tantas vezes afirmas resultar de seres de carneiro com ascendente em carneiro), a esbarrar na minha forma de sentir.

Nem sempre concordamos. Nem sempre é fácil. Há dias em que as palavras falham, em que os silêncios pesam, em que ceder custa. Mas há também algo maior: a vontade de ficar, de compreender, de ajustar caminhos sem perder quem somos. Porque quando o sentimento é verdadeiro, há um lugar dentro de nós que sabe que vale a pena tentar com paciência, escuta e cuidado.

E é aí que nos identifico, na forma como, mesmo no desencontro, acabamos por escolher o encontro. Aceitamo-nos nas partes bonitas e nas que ainda estão a aprender a ser, com respeito por quem somos juntos e como pessoas com características próprias.

Sinto cumplicidade, companheirismo e esse “qualquer coisa” que não precisa de nome, porque apenas se sente. Está nos pequenos gestos, na forma como sabemos que estamos ali um para o outro nos bons e nos maus momentos.

No meio de tudo o que a vida já nos tirou e deu, tornaste-te o meu porto seguro, e espero ser também o teu. Hoje dei-te um âncora porque simboliza essa segurança, e a confiança de que estaremos sempre lá um para o outro.

Obrigada por seres quem és, e por me deixares ser quem sou ao teu lado.

Parabéns meu amor!


quinta-feira, 2 de abril de 2026

A Páscoa que há em nós

 

Fui educada dentro de uma fé muito concreta, com contornos bem definidos, rituais que se repetiam ano após ano e palavras que aprendi antes mesmo de as compreender. Cresci no seio do catolicismo, entre missas de domingo, orações decoradas e uma ideia de Deus que, na altura, me parecia tão absoluta quanto distante. A Páscoa, em particular, era um dos momentos mais marcantes, carregada de simbolismo, silêncio e respeito.

Na aldeia onde nasci, e onde os meus avós viveram, toda a Quaresma era vivida intensamente, cheia de rituais sagrados, missas e procissões, mas simultaneamente com um certo recolhimento que convidava à introspeção.  Lembro-me da solenidade desses dias, do peso da Sexta-feira Santa, onde se vivia o luto por Cristo e não se podia comer carne porque isso representava o sangue do Senhor. E depois, o domingo, como um renascer, as cores alegres, as colchas nas janelas e as pétalas de flores por onde a procissão passava a celebrar a ressurreição de Cristo.

Houve, no entanto, uma fase da minha vida em que tudo isso se partiu. A perda de familiares próximos trouxe uma dor difícil de traduzir, um vazio que nenhuma palavra conseguia alcançar. E, nesse lugar de ausência, veio a revolta. Zanguei-me com Deus. Zanguei-me com a Igreja. Senti-me traída por uma fé que, até então, me tinha sido apresentada como abrigo. Afastei-me. Questionei. Duvidar tornou-se quase uma forma de sobrevivência.

Mas, curiosamente, foi nesse mesmo vazio que nasceu uma outra necessidade, mais silenciosa, mais íntima. A necessidade de encontrar sentido, de me ligar a algo maior, mesmo que já não soubesse dar-lhe um nome. Quando tudo parece desmoronar, há uma parte de nós que continua a ter de sobreviver, ainda que com dor. E foi aí que comecei a reconstruir a minha relação com o sagrado, fora das estruturas que antes conhecia.

Com o tempo, fui-me afastando das formas rígidas e aproximando-me mais da essência. Sou uma pessoa de fé.  Acredito que somos muito mais do que a vida medíocre que por vezes vivemos. Acredito que há algo mais depois do fim. Não deixei de procurar o sagrado, mas deixei de o procurar num único lugar. Sinto-me mais espiritual do que religiosa.

Não rejeito aquilo que me foi dado, pelo contrário, reconheço-lhe valor, raiz, identidade. E  tenho muita, muita saudade das pessoas que partilharam esses momentos comigo e já partiram. 

Mas aprendi que a fé pode ser mais ampla, mais silenciosa e, ao mesmo tempo, mais profunda. Comecei a olhar para outras religiões com curiosidade e respeito. Percebi que, por trás de nomes diferentes, rituais distintos e histórias próprias, existe muitas vezes a mesma busca: sentido, ligação, transcendência, amor.

Para mim, a Páscoa, deixou de ser apenas um acontecimento religioso. É um tempo de renovação, de deixar morrer o que já não serve, de abrir espaço ao que quer nascer. É um convite à introspeção, mas também à esperança.

Talvez acenda umas velas, vou certamente pensar em quem já partiu, e talvez me permita estar em silêncio comigo mesma, e, nesse silêncio, talvez encontre algo que reconheço como sagrado, porque em cada um de nós há uma energia divina. Só precisamos de a encontrar.

Páscoa Feliz!


sexta-feira, 27 de março de 2026

Sobre a eutanásia e o direito de morrer


Após ser vítima de uma agressão sexual múltipla quando tinha 22 anos, Noelia, tentou acabar coma própria vida, atirando-se de um quinto andar, mas nem tudo correu como queria, ficou viva e paraplégica. Já não lhe bastava os anos e anos numa instituição, abandonada pela família, as marcas destes trágicos acontecimentos aprofundaram ainda mais a depressão em que mergulhou. E quis que o seu sofrimento acabasse, lutou durante anos pelo direito de pôr termo à vida. Ontem, com 25 anos, foi eutanasiada.

A notícia correu mundo, e ninguém ficou indiferente.

A eutanásia é um dos temas mais delicados e profundamente humanos que podemos abordar, porque nos coloca diante de uma realidade inevitável: a morte. E mais do que isso, obriga-nos a refletir sobre a forma como queremos partir, ou permitir que alguém parta, quando a vida se torna sinónimo de dor, perda de dignidade ou ausência de sentido.

Há quem defenda a eutanásia como um ato de compaixão. Nessa perspectiva, permitir que alguém escolha terminar a sua vida, em situações de sofrimento extremo e irreversível, é respeitar a sua autonomia e aliviar uma dor que já não encontra alívio. Para muitos, trata-se de devolver à pessoa um controlo que a doença lhe retirou, oferecendo-lhe uma despedida consciente, serena e, dentro do possível, digna.

Por outro lado, existem argumentos igualmente fortes contra. Há quem veja na eutanásia um limite perigoso, onde a vida, mesmo fragilizada, deixa de ser protegida de forma absoluta. Onde se traça a linha entre aliviar o sofrimento e desistir da vida?

No centro deste debate está algo que nenhuma lei ou decisão consegue apagar: a morte é uma perda irreversível. Quando alguém parte, não há retorno, não há segunda oportunidade, não há forma de refazer palavras não ditas ou gestos adiados. Fica o silêncio, a ausência, e uma presença que passa a existir apenas na memória de quem fica.

O caso da Noelia teve ainda a particularidade de trazer para o debate a temática da doença mental-  a depressão, que segundo a Organização Mundial da Saúde, é o problema de saúde mais prevalente na União Europeia, afetando cerca de 50 milhões de pessoas.

Talvez uma das maiores limitações desta doença, seja a sensação de estar preso dentro de si próprio, como se existisse uma distância entre aquilo que a pessoa é por dentro e aquilo que consegue viver ou mostrar ao mundo. Pode ser uma verdadeira prisão silenciosa, onde tudo se vê, tudo se percebe, mas nada toca verdadeiramente, como estar preso dentro de um corpo que não responde.

E perante isto, a vida pode deixar de fazer sentido, porque por dentro já se foi morrendo. Existe-se mas não se vive.

No fim, talvez o essencial seja mantermos a capacidade de olhar para cada história com humanidade. De escutar sem julgar. De cuidar, mesmo quando não podemos curar. E de reconhecer que, perante a morte, todas as certezas se tornam mais pequenas, e todas as emoções, mais verdadeiras.

Que encontres paz Noelia, e que, como tanto querias, consigas finalmente descansar.

O que é importante na vida?

 


Há coisas na vida que só se tornam importantes quando tudo o resto perde o peso. Não são as conquistas que exibimos nem os títulos que acumulamos, mas os momentos silenciosos que nos atravessam sem pedir licença. Aqueles instantes em que sentimos, de forma quase inexplicável, que estamos exatamente onde devíamos estar.

O essencial raramente faz barulho. Está no abraço que chega no momento certo, na palavra dita com verdade, no olhar que compreende sem necessidade de explicações. Está na coragem de continuar, mesmo quando ninguém vê, e na capacidade de parar, mesmo quando o mundo exige pressa.

Passamos grande parte da vida a correr atrás de “importâncias” que nos ensinaram: sucesso, reconhecimento, estabilidade. E, ainda assim, há um vazio que nenhuma dessas coisas consegue preencher por completo. Porque o que verdadeiramente importa não se mede, sente-se.

Importa saber quem somos quando ninguém está a ver. Importa a forma como tratamos os outros, especialmente quando não temos nada a ganhar com isso. Importa a paz com que adormecemos e a leveza com que acordamos. Importa o que fica depois das perdas, depois das mudanças, depois de tudo o que nos obrigou a recomeçar.

A vida, no fundo, não é feita apenas de grandes momentos, mas de pequenas escolhas repetidas todos os dias. Escolher amar, mesmo com medo. Escolher perdoar, mesmo com dor. Escolher ficar, partir, recomeçar, tantas vezes quantas forem necessárias.

Talvez o mais importante seja perceber que tudo é passageiro. E, justamente por isso, tudo é valioso. Cada encontro, cada despedida, cada oportunidade de sentir.

E há também uma beleza discreta no tempo que passa. As marcas que ele deixa contam histórias, e entre elas, as mais bonitas são aquelas desenhadas pelos sorrisos. As rugas que nascem junto aos olhos não são sinais de desgaste, mas de vida vivida, de momentos partilhados, de alegria repetida vezes sem conta. São a prova silenciosa de que, apesar de tudo, houve espaço para sorrir, e isso, por si só, já diz tanto sobre o que realmente importa.

No fim, quando olharmos para trás, dificilmente serão as coisas materiais ou os feitos grandiosos que ocuparão espaço na memória. Serão as pessoas, os afetos, os gestos simples. Será aquilo que nos tocou profundamente, e aquilo que, de alguma forma, também tocámos no outro.

 


sexta-feira, 20 de março de 2026

Bem-vinda Primavera

 


A primavera chega hoje, devagar, tímida, quase em segredo num dia meio chuvoso, como se não quisesse interromper o silêncio deixado pelos dias frios e sombrios. Promete trazer consigo uma luz diferente, mais firme, como se soubesse exatamente onde tocar para despertar o que ficou adormecido.

Depois de um inverno penoso, recheado de catástrofes, que ultrapassou todos os recordes de chuvas e ventos a que jamais tínhamos assistido, esta estação surge como um convite. Um convite a soltar o que já não faz sentido, a deixar para trás as sombras que insistiram a assombrar-nos, a abrir espaço para o que pode, agora, florescer.

Há algo de profundamente simbólico neste recomeço. As árvores não resistem à mudança, entregam-se a ela. Os campos não questionam, simplesmente florescem e renovam-se. E talvez haja nisso uma lição silenciosa: a de que também nós podemos recomeça, mesmo sem termos todas as respostas, mesmo com marcas ainda recentes.

A primavera ensina-nos a caminhar para além do inverno, dos tempos frios e sombrios. Mostra-nos que tudo muda, nada é para sempre. Que a vida encontra sempre uma forma de se reinventar.

Que esta nova etapa seja feita de luz. De pequenos gestos que aquecem o coração. De esperança que se instala sem pedir licença. E que, tal como a natureza, possamos confiar que, dentro de nós, também existe um tempo para voltar a florescer.