Hoje, no dia do teu aniversário, escrevo sobre ti.
Curioso como a vida, às vezes, começa pelos
caminhos mais improváveis. Quando nos conhecemos, não houve faísca imediata,
nem simpatia à primeira vista. Éramos quase opostos, tu, mais calado, fechado
no teu mundo, com uma intensidade silenciosa que eu, na altura, talvez não
soubesse ler.
Mas o tempo… o tempo tem uma forma muito própria de
revelar as pessoas.
Pelo meio, cada um de nós trazia histórias.
Relações que não resultaram, caminhos que deixaram marcas, feridas tatuadas que
iriam desaparecer e com as quais tínhamos que aprender a viver. Talvez por isso
nos reconhecemos devagar, com respeito, e como quem sabe o peso que o outro
carrega.
E, sem darmos conta, aquilo que era apenas presença
tornou-se conversa. O que era distância transformou-se em proximidade. E da
amizade começou a nascer algo mais, algo feito de pequenas partilhas, de
silêncios que já não incomodavam, de um estar que acalmava.
Hoje, olho para nós e vejo isso: uma relação que se
foi construindo, feita de altos e baixos que não nos quebraram, mas nos
ensinaram. Vejo o teu apoio nos dias em que me perco, e a tua forma quieta de
ficar quando tudo em mim é tempestade. E vejo também as nossas diferenças, a
tua teimosia assumida (que tantas vezes afirmas resultar de seres de carneiro
com ascendente em carneiro), a esbarrar na minha forma de sentir.
Nem sempre concordamos. Nem sempre é fácil. Há dias
em que as palavras falham, em que os silêncios pesam, em que ceder custa. Mas
há também algo maior: a vontade de ficar, de compreender, de ajustar caminhos
sem perder quem somos. Porque quando o sentimento é verdadeiro, há um lugar
dentro de nós que sabe que vale a pena tentar com paciência, escuta e cuidado.
E é aí que nos identifico, na forma como, mesmo no
desencontro, acabamos por escolher o encontro. Aceitamo-nos nas partes bonitas
e nas que ainda estão a aprender a ser, com respeito por quem somos juntos e
como pessoas com características próprias.
Sinto cumplicidade, companheirismo e esse “qualquer
coisa” que não precisa de nome, porque apenas se sente. Está nos pequenos gestos,
na forma como sabemos que estamos ali um para o outro nos bons e nos maus momentos.
No meio de tudo o que a vida já nos tirou e deu, tornaste-te
o meu porto seguro, e espero ser também o teu. Hoje dei-te um âncora porque
simboliza essa segurança, e a confiança de que estaremos sempre lá um para o
outro.
Obrigada por seres quem és, e por me deixares ser
quem sou ao teu lado.
Parabéns meu amor!






